JACKIE CHAN

Jackie Chan é um daqueles raríssimos artistas que conseguiram criar uma linguagem própria no cinema. Ator, diretor, produtor, roteirista, cantor e extraordinário especialista em cenas de ação, tornou-se conhecido mundialmente pela combinação inconfundível de artes marciais, acrobacias, humor e aventura.

Nascido Chan Kong-sang, em 7 de abril de 1954, em Hong Kong, passou boa parte da infância na rigorosa China Drama Academy, escola de ópera de Pequim dirigida por Yu Jim-yuen. Ali recebeu uma formação extremamente exigente em acrobacia, interpretação, canto e artes marciais.

Entre seus companheiros estavam futuros nomes importantes do cinema de Hong Kong, como Sammo Hung e Yuen Biao.

Ainda muito jovem começou a trabalhar no cinema como figurante e dublê. Chegou a participar de produções estreladas por Bruce Lee, entre elas Fist of Fury e Enter the Dragon. Após a morte de Lee, a indústria tentou encontrar um sucessor para o astro, e Jackie chegou a protagonizar filmes concebidos nessa linha. Mas percebeu que imitar Bruce Lee não lhe daria uma identidade própria.

A grande mudança aconteceu quando Jackie passou a incorporar comédia às lutas, explorando sua extraordinária capacidade física e transformando objetos comuns — cadeiras, mesas, escadas, vasos, bicicletas e praticamente qualquer coisa ao alcance das mãos — em elementos das coreografias. Filmes como Snake in the Eagle’s Shadow e Drunken Master, ambos de 1978, ajudaram a estabelecer essa nova personalidade cinematográfica.

Nos anos seguintes, Jackie Chan foi muito além de simplesmente protagonizar filmes de kung fu. Passou a ter participação decisiva na criação das cenas de ação e consolidou um estilo em que as lutas funcionavam quase como números coreográficos. Project A, Police Story, Armour of God e suas continuações estão entre as produções que construíram sua reputação internacional.

Uma característica tornou-se especialmente famosa: Jackie procurava executar pessoalmente muitas de suas cenas perigosas, sofrendo ao longo da carreira inúmeras fraturas e acidentes. Em Armour of God, em 1986, uma queda durante uma filmagem quase lhe custou a vida e exigiu uma cirurgia no crânio. Os erros, quedas e acidentes ocorridos nas filmagens frequentemente apareciam nos créditos finais de seus filmes, tornando-se outra de suas marcas.

Embora já fosse uma enorme estrela na Ásia, conquistar definitivamente o público norte-americano demorou mais. A virada ocorreu principalmente com Rumble in the Bronx (1995), seguida pelo grande sucesso internacional de Rush Hour (1998), ao lado de Chris Tucker. Depois vieram produções como Shanghai Noon, Shanghai Knights, novas sequências de Rush Hour e numerosos projetos realizados entre o Oriente e Hollywood.

Sua filmografia também mostrou que Jackie poderia assumir personagens menos cômicos e mais dramáticos. Mesmo assim, sua imagem permanece inseparável daquele herói simpático que frequentemente parece estar em desvantagem, apanha, tropeça, improvisa — e encontra uma maneira espetacular de vencer.

Em 2016, recebeu um Oscar honorário pelo conjunto de sua contribuição ao cinema, reconhecimento a uma trajetória que atravessou décadas e fronteiras.

Jackie Chan não se tornou simplesmente mais um sucessor de Bruce Lee. Seu grande mérito foi justamente não tentar ser Bruce Lee. Criou seu próprio personagem, sua própria maneira de filmar ação e uma combinação de luta e comédia imediatamente reconhecível.

Com uma carreira que reúne mais de uma centena de filmes e várias gerações de admiradores, Jackie Chan conquistou um lugar singular na história do cinema: um artista para quem uma luta pode ser ao mesmo tempo perigosa, espetacular e muito engraçada.