TERENCE HILL — O HERÓI DO SORRISO INCONFUNDÍVEL

Terence Hill nasceu Mario Girotti, em 29 de março de 1939, em Veneza, Itália. Filho de pai italiano e mãe alemã, passou parte da infância na Alemanha e começou muito cedo no cinema. Ainda adolescente, já aparecia em produções italianas e, durante os anos seguintes, construiu uma carreira bastante variada, trabalhando em dramas, aventuras, filmes históricos e produções de época muito antes de se transformar no astro pelo qual seria conhecido mundialmente.

Alto, atlético e dono de impressionantes olhos azuis, Mario Girotti tinha todas as características para interpretar o galã convencional. Mas sua carreira tomou outro rumo quando adotou o nome artístico Terence Hill e encontrou no western italiano um território perfeito para desenvolver uma personalidade cinematográfica própria.

Participou de filmes como Deus Perdoa… Eu Não!, Os Quatro da Ave Maria e A Colina dos Homens Maus, produções que também ajudariam a consolidar uma das parcerias mais populares do cinema europeu.

E é aqui que entra um certo grandalhão chamado Bud Spencer.

Bud, cujo verdadeiro nome era Carlo Pedersoli, tinha uma história igualmente incomum. Antes do cinema, fora nadador de alto nível, representara a Itália em Jogos Olímpicos e tornara-se o primeiro italiano a nadar os 100 metros livres em menos de um minuto. No cinema, seu enorme porte físico, a expressão permanentemente desconfiada e uma extraordinária habilidade para distribuir cascudos acabariam formando o contraponto perfeito para Terence Hill.

Hill era rápido, elegante, malandro e sorridente.
Bud era uma montanha resmungona que parecia preferir resolver determinadas divergências com a mão fechada.

A química funcionou.

Mas foi em Meu Nome é Trinity (Lo chiamavano Trinità, 1970) que a dupla encontrou definitivamente sua identidade. O enorme sucesso do filme e de sua continuação, Trinity Ainda é Meu Nome, transformou Terence Hill e Bud Spencer em fenômenos internacionais.

Eles ajudaram a criar praticamente uma categoria própria dentro do cinema popular: filmes de aventura e western com pancadaria coreografada, humor físico, personagens trapaceiros e simpáticos e uma violência tão caricatural que uma briga envolvendo vinte homens podia terminar com metade do saloon destruído — e aparentemente ninguém precisava de hospital. 😂

A parceria ultrapassaria o western. Juntos fizeram aventuras, comédias, filmes policiais e produções ambientadas em diferentes lugares do mundo. Dois Tiras Fora de Ordem, Par ou Ímpar, Quem Encontra um Amigo Encontra um Tesouro, Dois Missionários, Eu Estou com os Hipopótamos e Os Dois Super-Tiras em Miami estão entre os títulos que mantiveram a dupla extremamente popular durante décadas.

Terence Hill também teve uma carreira importante sem Bud Spencer. Filmes como O Super-Homem do Oeste (My Name Is Nobody), ao lado de Henry Fonda, demonstraram que sua persona cinematográfica funcionava perfeitamente fora da dupla. Mais tarde, continuou trabalhando como ator e diretor e alcançou enorme sucesso na televisão italiana, especialmente como protagonista da longeva série Don Matteo.

A importância de Terence Hill e Bud Spencer, porém, dificilmente pode ser medida apenas por bilheterias. Os dois conquistaram algo muito mais raro: viraram memória afetiva.

Para várias gerações, basta aparecer na tela aquele sujeito magro de olhos azuis com um sorriso de quem está prestes a aprontar alguma coisa — ou o grandalhão barbudo percebendo que perdeu a paciência — para o espectador já saber exatamente que tipo de diversão está chegando.

Separadamente, foram dois artistas de carreiras notáveis.

Juntos, tornaram-se uma dupla que o cinema jamais conseguiu repetir.